Elias
Elias (em hebraico: אֱלִיָּהוּ; romaniz.: Ĕlīyāhū; lit. "Meu Deus é Javé" em grego: Ηλίας, romaniz.: Elías; em árabe: إلياس; romaniz.: Ilyās) foi um profeta e taumaturgo do Antigo Testamento que viveu no Reino de Israel durante o reinado do rei Acabe, no século IX a.C. A sua figura é apresentada principalmente nos Livros dos Reis, onde aparece como um dos mais vigorosos defensores do culto exclusivo a Javé, em oposição à adoração do deus cananeu Baal, prática considerada idolátrica pela fé israelita. Elias é descrito como um profeta de palavra incisiva e ação poderosa, instrumento por meio do qual Deus manifestou a sua soberania e fidelidade à Aliança.
Segundo a narrativa bíblica, foi por intermédio de Elias que Deus realizou numerosos milagres, entre os quais se destacam a multiplicação do alimento da viúva de Sarepta, a ressurreição do filho da viúva, a invocação de fogo do céu no Monte Carmelo e o fim de uma grande seca sobre a terra de Israel. Um dos aspectos mais singulares de sua vida é o relato segundo o qual Elias não experimentou a morte, mas foi arrebatado ao céu em um redemoinho, acompanhado por uma carruagem e cavalos de fogo.
Elias é reconhecido, na tradição bíblica, como um precursor do Messias. O Livro de Malaquias anuncia o seu retorno “antes que venha o grande e terrível dia do Senhor”, expectativa que marcou profundamente a escatologia judaica. No Novo Testamento, essa profecia é interpretada à luz da missão de João Batista, descrito como aquele que veio “no espírito e no poder de Elias”. O próprio Jesus foi comparado a Elias por alguns de seus contemporâneos, e o profeta aparece, ao lado de Moisés, no episódio da Transfiguração, simbolizando os Profetas, enquanto Moisés representa a Lei. Elias é venerado como santo e sua festa litúrgica é celebrada no dia 20 de julho.
No judaísmo, o nome de Elias é invocado no ritual semanal do havdalá, que marca o fim do Shabat, além de outras práticas tradicionais como o Sêder de Pessach e o brit milá (ritual de circuncisão). Elias também figura em histórias do hagadá e na literatura rabínica, especialmente no Talmude Babilônico. Referências a Elias aparecem também no Talmude e na Mishná.
No islamismo, o Alcorão apresenta Elias (Ilyas) como um profeta justo e devoto de Deus, que combateu o culto a Ba'al e exortou seu povo a retornar à retidão e ao monoteísmo.
No druzismo, religião monoteísta com raízes no islamismo ismaelita, Elias é reverenciado como uma figura sagrada e frequentemente identificado com o profeta Al-Khidr, sendo considerado imortal e protetor espiritual dos justos.
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