Butch
Butch e femme são termos usados na subcultura lésbica e sáfica para atribuir ou reconhecer uma expressão de gênero desfeminilizada (butch) ou feminina (femme) com seus traços, comportamentos, estilos, autopercepção e assim por diante. Os termos foram fundados em comunidades lésbicas no século XX. Esse conceito foi chamado de "maneira de organizar relações sexuais, gênero e identidade sexual". A cultura butch-femme não é a única forma de um sistema diádico lésbico, pois há muitas mulheres em relacionamentos butch-butch e femme-femme.
Tanto a expressão de lésbicas individuais de expressões butch e femme quanto o relacionamento da população lésbica em geral com a noção de butch e femme como um princípio organizador do relacionamento sexual variaram ao longo do século XX. Algumas feministas lésbicas argumentaram que o butch-femme é uma replicação das relações heterossexuais, enquanto outras comentaristas argumentam que, embora ressoe com os padrões heterossexuais de relacionamento, butch-femme desafia-o simultaneamente. Pesquisas realizadas nos anos 90 nos Estados Unidos mostraram que "95% das lésbicas estão familiarizadas com os códigos butch/femme e podem classificar a si mesmas ou a outras em termos desses códigos, e, no entanto, a mesma porcentagem considera que butch/femme 'não é importante em suas vidas'.
Em português existem as palavras caminhoneira, bolachona, machorra e bofinha (ou bofinho, em alusão a tomboy), que podem ter uso semelhante a butch. O termo sapatona ou sapatão pode ser usado de forma pejorativa como insulto, palavrão, profanação ou calúnia, logo ela se torna incompatível ao uso de butch e comparável a dyke ou bulldyke, por isto muitas mulheres lésbicas usam butch como empréstimo linguístico. Outro termo semelhante é ursa, ursete e ursula, que tenta copiar urso da cultura gay, para designar mulheres ursinas. Há também outras traduções para dyke: fancha, viada, fufa, racha, mulher-macho, macha, cola velcro, marimacho, marimacha, sapa, virago, safista, fessureira e sapatia.
Femme, fem ou feme, é comumente usado por pessoas queer que não são essencialmente lésbicas, como mulheres bissexuais, travestis e homens gays ou bissexuais afeminados, indicando uma feminilidade LGBT ou QPoC (pessoa queer de cor, queer person of color), ou que de qualquer forma foge da conformidade e do binário de gênero, mas ainda assim podem usar fem (abreviatura de femme ou feminilidade). A tradução pode ser semelhante às conhecidas palavras sapatilha, sapatinha, sapatinho e sandalhinha, na comunidade lésbica.
Butch e femme já foram traduzidos como machão e mocinha também, respectivamente. Desfem pode ser usado por algumas pessoas que são descritas por butch ou futch.
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